A calçada de toda uma vida
é feita de pequenos paralelos e lindas ruelas,
lixo entranhado e vias repartidas,
buracos no meio e marcas de calcadelas.
A minha calçada,
nem um passeio, nem uma auto-estrada o é.
É um misto dos dois, uma mística caminhada.
Há quem caminhe por gosto,
há quem passe por desgosto.
Há quem se reveja no meu rosto,
e há quem aviste o seu posto... Talvez longe de mim, longe de novo.
domingo, 1 de novembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Muro de Mim.
Sou são?
Pergunto-me: serei são?
A resposta é facil e encontro-a então:
Não, ninguém o é. E se o fosse?
Não queria pois, perdia toda a diversão!
Louvados sejam os desvaneios, a loucura, a coragem e o atrevimento!
Não concordam? Não é mesmo isto que nos dá alento?
Maravilhas do desafio da moral e da conformidade,
soltem-se! Os frutos serão colhidos, não receiem a tempestade.
Se o Homem seguisse uma linha continua, longilínea, firme, de resignação,
estaria cá eu, hoje, aqui, de pensamento livre e de caneta na mão?
Desprendei-vos do que vos faz presa imovél,
o prazer está em derrubar o muro que nos enclausura!
É por isso que a sanidade é tão gostosamente refutável!
Acabem-se as mágoas e sonhos passados, acabe-se a ditadura!
Pergunto-me: serei são?
A resposta é facil e encontro-a então:
Não, ninguém o é. E se o fosse?
Não queria pois, perdia toda a diversão!
Louvados sejam os desvaneios, a loucura, a coragem e o atrevimento!
Não concordam? Não é mesmo isto que nos dá alento?
Maravilhas do desafio da moral e da conformidade,
soltem-se! Os frutos serão colhidos, não receiem a tempestade.
Se o Homem seguisse uma linha continua, longilínea, firme, de resignação,
estaria cá eu, hoje, aqui, de pensamento livre e de caneta na mão?
Desprendei-vos do que vos faz presa imovél,
o prazer está em derrubar o muro que nos enclausura!
É por isso que a sanidade é tão gostosamente refutável!
Acabem-se as mágoas e sonhos passados, acabe-se a ditadura!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Futuro, uro, uro...
Tenho este senso para a complicação,
torno linhas rectas em curvas.
Nesta situação,
não há medo nem pressão,
nem as águas são turvas.
Esta minha tendência diz tudo,
é a minha maneira de olhar, seguir e crer.
Faço-me de cego e mudo:
Querer é poder.
O cenário é meu e só meu,
eu realizo e contraceno.
Como um perdido que seu rasto perdeu,
eu calquei o meu caminho, feliz e sereno.
Não olho por cima do ombro,
não penso naquele escombro
que outrora a minha vida deixou.
Abraçei esta estrada, é onde queria e estou!
Ai, ao futuro dou um urro!
Quero tanto perder-me na sua maré!
Olhos postos em diante e seguro,
hoje remo eu, amanhã já estarei firme de pé.
torno linhas rectas em curvas.
Nesta situação,
não há medo nem pressão,
nem as águas são turvas.
Esta minha tendência diz tudo,
é a minha maneira de olhar, seguir e crer.
Faço-me de cego e mudo:
Querer é poder.
O cenário é meu e só meu,
eu realizo e contraceno.
Como um perdido que seu rasto perdeu,
eu calquei o meu caminho, feliz e sereno.
Não olho por cima do ombro,
não penso naquele escombro
que outrora a minha vida deixou.
Abraçei esta estrada, é onde queria e estou!
Ai, ao futuro dou um urro!
Quero tanto perder-me na sua maré!
Olhos postos em diante e seguro,
hoje remo eu, amanhã já estarei firme de pé.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Paleta
É de cor amarela
a minha favorita agualera.
É pelo significado da cor:
enriquece a minha tela.
Sou poeta, sou pintor.
Sou um grafista do que penso.
Arquitecto as minhas emoções em papel,
encho-as de ideias e dor.
Gosto de me mentir,
não de me calar!
Ao menos flui o pensar -
a paragem é o meu mártir...
a minha favorita agualera.
É pelo significado da cor:
enriquece a minha tela.
Sou poeta, sou pintor.
Sou um grafista do que penso.
Arquitecto as minhas emoções em papel,
encho-as de ideias e dor.
Gosto de me mentir,
não de me calar!
Ao menos flui o pensar -
a paragem é o meu mártir...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Novas roupagens, futuras viagens.
A cada dia que nasce,
a cada raio de sol que espreito,
Eu sinto uma necessidade,
um querer de levar a peito,
de me vestir de branco,
de contrariar a verdade.
Vestimentas são peles,
peles que disfarçam o sou e tenho,
talvez por as uso para me sentir melhor,
talvez para não mostrar este preto ferrenho.
Ao ser visto de fora e ao longe,
pareço estar melhor que nunca!
Como o louva-a-deus está para o monge,
como o maestro mostrando sua batuca.
Sinto-me enganado e gosto,
não me quero desgarrar disto que me faz feliz.
Como um rei disposto: se me tiram esta coroa,
lá se vai o petiz.
a cada raio de sol que espreito,
Eu sinto uma necessidade,
um querer de levar a peito,
de me vestir de branco,
de contrariar a verdade.
Vestimentas são peles,
peles que disfarçam o sou e tenho,
talvez por as uso para me sentir melhor,
talvez para não mostrar este preto ferrenho.
Ao ser visto de fora e ao longe,
pareço estar melhor que nunca!
Como o louva-a-deus está para o monge,
como o maestro mostrando sua batuca.
Sinto-me enganado e gosto,
não me quero desgarrar disto que me faz feliz.
Como um rei disposto: se me tiram esta coroa,
lá se vai o petiz.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Culpa.
Era aceitável, perdoável,
um pouco ou quanto lamentável,
essa turbulência que apareceu na linha minha
vinda não do que pretendia,
Mas do que tinha.
Era confrontado, subjugado
do pesar do sentimento de culpa
daquilo que tinha amontoado
em mim, daquilo que agora não me segura
nem me guia, só me perturba...
A culpa, ou este sentimento,
só se fermenta por algo que está em mim
e fico desfeito por dentro (mas aguento)
por saber que só por responsabilidade minha
é que a minha vida agora é assim...
Vejamos: só consigo sentir culpa
porque me revejo em dois:
Um que está agora aqui e remói o passado
e o que me preocupa, o que virá depois.
Convenhamos: "preso", "contraído" e "agarrado"
são tudo palavras deste dicionário que me foi criado.
Não porque quis... ou talvez nem tal culpa coube a mim.
Mas por tudo isto escrito e passado,
Sei que lê-lo até ao fim,
é agora encontrar-me a mim,
Enfim!
um pouco ou quanto lamentável,
essa turbulência que apareceu na linha minha
vinda não do que pretendia,
Mas do que tinha.
Era confrontado, subjugado
do pesar do sentimento de culpa
daquilo que tinha amontoado
em mim, daquilo que agora não me segura
nem me guia, só me perturba...
A culpa, ou este sentimento,
só se fermenta por algo que está em mim
e fico desfeito por dentro (mas aguento)
por saber que só por responsabilidade minha
é que a minha vida agora é assim...
Vejamos: só consigo sentir culpa
porque me revejo em dois:
Um que está agora aqui e remói o passado
e o que me preocupa, o que virá depois.
Convenhamos: "preso", "contraído" e "agarrado"
são tudo palavras deste dicionário que me foi criado.
Não porque quis... ou talvez nem tal culpa coube a mim.
Mas por tudo isto escrito e passado,
Sei que lê-lo até ao fim,
é agora encontrar-me a mim,
Enfim!
sábado, 8 de agosto de 2009
Não me consigo conter.
São tantas, tantas meus caros,
estas flechas de pensamento que se concentram em mim.
Mas sem percepção nem reparos,
elas fogem e caíem, assim.
Sou concha, sem a sua metade.
Não porque divago além-mar,
mas porque não tenho como me fixar,
nem para onde ou quem olhar...
Sorte: tenho pouco e muito para mostrar.
Mas será que quero?
Não sei, este apenas sou eu.
Estas ideias, espero,
não me mudem a mim nem o céu.
Que mudem o que possa ser mudado!
Cada vosso céu estrelado.
estas flechas de pensamento que se concentram em mim.
Mas sem percepção nem reparos,
elas fogem e caíem, assim.
Sou concha, sem a sua metade.
Não porque divago além-mar,
mas porque não tenho como me fixar,
nem para onde ou quem olhar...
Sorte: tenho pouco e muito para mostrar.
Mas será que quero?
Não sei, este apenas sou eu.
Estas ideias, espero,
não me mudem a mim nem o céu.
Que mudem o que possa ser mudado!
Cada vosso céu estrelado.
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