terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Quero ser...

Quero ser redondo,
sem arestas para limar.
Cada vértice, impureza minha;
cada canto, uma história por contar.

Quero ser uma linha,
sem defeitos, recta.
Voar alto sem sair do chão,
conquistar o horizonte com a precisão certa.

Quero conseguir ser mais de mim,
um aristocrata dos meus desvaneios.
Contornar as esquinas devagar,
atingir o fim sem desfazer os meios.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Coisas da alma e muito mais

A distância que vai desde o olhar ao sentir,
não é um palmo, um metro, não é uma rua.
Não é uma fotografia nem um gesto.
É uma recordação, é o pensar.
A minha alma está fria... está nua.
Nem se mexe, não dá o mínimo de manifesto.
Está ali apertadinha, com frio, com medo do pensar.

Gostava que fosse madura, com o mínimo de caução
- que não tivesse entrecruzada com o meu coração.
Mas ela existe, está lá para me proteger.
Está na sua esfera... mas alberga o meu ser.

Companheira de emoções:
sei que és indiferente à lógica...
Seja por falta de tacto ou frieza.
Quando o leque se espalha na mesa, emanam mil exclamações!

Perdoa-me alma, por ser tão exigente de ti.
Quanto mais tu te desvaneces, mais o meu coração sorri.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Olá, o meu nome é Sub (-) Consciente e hoje apetece-me falar um pouco sobre... tudo!


Detesto o vento, detesto o mar.
Detesto a música e o sonhar.

Alto! Será que é mesmo isto que está dentro de mim a borbulhar para se soltar cá para fora?

Gosto do teclado, da caneta.
Gosto da minha gaita e de tocar à punheta.

Detesto multidão, detesto a fila.
Detesto o meu colhão e a minha pila.

Gosto de regra e uma certa disciplina.
Gosto de escancanar e de uma ganda pina.

Detesto o meu pensar e esta mentalidade.
Detesto... Detesto o caralho, para isto já não tenho idade.

Ou tenho? Não será isto mais uma distorção da correcta visão, da minha própria natureza? Um muro que se me impõe por todos os artifícios da conjuntura em que vivo, respiro, ando?

Pois, isso fica a cargo do vento... daquela folha a pairar no ar, daquele pólen numa tarde de primavera sem rumo, sem saber onde parar, sem saber o que e onde germinar. Eu sou esse campo de silvas, o espaço das amoras silvestres e do que há para cultivar, aqui, com os sentidos bem dispertos.


E isso tudo é muito fodido, pena é que a minha mãe tá-me a foder a cabeça para ir jantar. Props, paz

domingo, 1 de novembro de 2009

Passeio

A calçada de toda uma vida
é feita de pequenos paralelos e lindas ruelas,
lixo entranhado e vias repartidas,
buracos no meio e marcas de calcadelas.

A minha calçada,
nem um passeio, nem uma auto-estrada o é.
É um misto dos dois, uma mística caminhada.

Há quem caminhe por gosto,
há quem passe por desgosto.
Há quem se reveja no meu rosto,
e há quem aviste o seu posto... Talvez longe de mim, longe de novo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Muro de Mim.

Sou são?
Pergunto-me: serei são?

A resposta é facil e encontro-a então:
Não, ninguém o é. E se o fosse?
Não queria pois, perdia toda a diversão!

Louvados sejam os desvaneios, a loucura, a coragem e o atrevimento!
Não concordam? Não é mesmo isto que nos dá alento?
Maravilhas do desafio da moral e da conformidade,
soltem-se! Os frutos serão colhidos, não receiem a tempestade.

Se o Homem seguisse uma linha continua, longilínea, firme, de resignação,
estaria cá eu, hoje, aqui, de pensamento livre e de caneta na mão?

Desprendei-vos do que vos faz presa imovél,
o prazer está em derrubar o muro que nos enclausura!
É por isso que a sanidade é tão gostosamente refutável!
Acabem-se as mágoas e sonhos passados, acabe-se a ditadura!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Futuro, uro, uro...

Tenho este senso para a complicação,
torno linhas rectas em curvas.
Nesta situação,
não há medo nem pressão,
nem as águas são turvas.

Esta minha tendência diz tudo,
é a minha maneira de olhar, seguir e crer.
Faço-me de cego e mudo:
Querer é poder.

O cenário é meu e só meu,
eu realizo e contraceno.
Como um perdido que seu rasto perdeu,
eu calquei o meu caminho, feliz e sereno.

Não olho por cima do ombro,
não penso naquele escombro
que outrora a minha vida deixou.
Abraçei esta estrada, é onde queria e estou!

Ai, ao futuro dou um urro!
Quero tanto perder-me na sua maré!
Olhos postos em diante e seguro,
hoje remo eu, amanhã já estarei firme de pé.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Paleta

É de cor amarela
a minha favorita agualera.
É pelo significado da cor:
enriquece a minha tela.

Sou poeta, sou pintor.
Sou um grafista do que penso.
Arquitecto as minhas emoções em papel,
encho-as de ideias e dor.

Gosto de me mentir,
não de me calar!
Ao menos flui o pensar -
a paragem é o meu mártir...